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    Vocabulário do Português Medieval

    Hoje é um dia de suma importância para a Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), aconteceu o lançamento do Vocabulário do Português Medieval.

    A cerimônia ocorreu no auditório da FCRB e contou com a presença, entre outros, da ministra da Cultura, Marta Suplicy, prof. Manolo Florentino, presidente da FCRB, historiador Renato Lessa, presidente da Biblioteca Nacional, embaixador Alberto da Costa e Silva e o embaixador de Portugal, Francisco Ribeiro Telles.

    A Orquestra Barroca da UniRio abriu a solenidade com composições de Antonio Vivaldi e de Giovanni Batista Pergolesi. Em seguida a pesquisadora Ivette Savelli (Filologia/FCRB), coordenadora do léxico, traçou o histórico do projeto iniciado há 35 anos. A ministra Marta Suplicy lembrou que não havia publicações com essa densidade [sobre a origem da nossa língua: "Esperamos que a obra seja um ponto de demarcação para estudiosos da nossa língua e também de inspiração para outros países se debruçarem sobre suas próprias”, ressaltou a ministra da Cultura, Marta Suplicy.

    O presidente da Fundação, Manolo Florentino, grande incentivador da versão impressa, anunciou que a instituição pretende levar em breve o vocabulário vai para a web para consulta: "Será uma espécie de obra aberta para as próximas gerações". 
    Foram produzidos 1.000 exemplares, compostos de dois volumes cada, que serão somente distribuídos a centros de línguas românicas e bibliotecas especializadas, no Brasil e no exterior (Portugal, países da África lusófona, Espanha, França, Alemanha e Estados Unidos – entre outros). Em prazo ainda não definido, a Fundação Casa de Rui Barbosa irá disponibilizar pela internet o banco de dados que gerou o referido dicionário. As informações serão divulgados no portal e nas mídias sociais.

    :: Histórico:

    O Vocabulário Histórico-Cronológico do Português Medieval (VPM) vem de janeiro de 1979, quando o lexicógrafo Antônio Geraldo da Cunha trouxe para o Setor de Filologia o projeto, no qual trabalhou, a princípio, um pequeno grupo de colaboradores sob sua orientação direta. A iniciativa era pioneira – trata-se do primeiro levantamento exaustivo do léxico da língua portuguesa nos séculos XIII, XIV e XV.

    Mais adiante o apoio da Finep possibilitou a contratação de mais pesquisadores e auxiliares e dinamizou a elaboração da obra. No final de 1983 já se dispunha de um acervo de mais de 120 mil fichas com passagens abonatórias de vocábulos recolhidos em mais de uma centena de textos medievais, nos quais foi feito, sempre que possível, o levantamento integral do léxico. Em 1984, chegou a ser publicado um fascículo-amostra da obra, na tentativa de buscar parcerias que possibilitassem a publicação desse material de proporções gigantescas.

    O fascículo despertou interesse na comunidade acadêmica, mas ficou claro que uma obra de tal porte exigiria um investimento bastante vultoso e um prazo longo para sua execução. O autor propôs então à Casa de Rui Barbosa um projeto alternativo, menos ambicioso, que poderia ser concluído em tempo razoável: era o Índice do Vocabulário do Português Medieval, do qual chegaram a ser publicados os três primeiros volumes, entre 1986 e 1994.

    A partir de 1995, com apoio da Fundação Vitae e depois das Organizações Globo, o projeto, tal como fora originalmente concebido, chegou à era digital, sendo lançadas em CD-ROM duas versões. As fichas de papelão datilografadas, que ao longo dos anos foram tão úteis a inúmeros pesquisadores da comunidade acadêmica e científica nacional e internacional, tiveram sua merecida aposentadoria, substituídas por formas rápidas e eficientes de consulta e de atualização. Desde então, críticas e sugestões de especialistas possibilitaram o aperfeiçoamento da obra, expurgando-a de imperfeições decorrentes do fato de não termos podido contar até o final com a orientação firme e experiente de seu autor, falecido em 1999.
    Em 2012, por sugestão da pesquisadora Flora Süssekind, chefe do Setor de Filologia da FCRB, o então presidente da instituição, Wanderley Guilherme dos Santos, tomou a iniciativa da publicação impressa. Ao assumir a presidência da Fundação, em fevereiro de 2013, o historiador Manolo Florentino concretizou a execução do projeto, viabilizando, finalmente, a versão impressa dos dois volumes (com cerca de 170.000 verbetes), que ora apresentamos, em edição revista, e que, sem sombra de dúvida, significa um importante passo para a lexicografia de língua portuguesa, daqui e de além-mar.

    Veja ao texto publicado pelo Ministério da Cultura.
     

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